20 de novembro de 2010

Geração Metáfora

Nesta semana que estive em São Paulo o Galeno chamou a atenção para a capa da revista Época daquela semana. Me surpreendeu pela interpretação que eu nunca havia cogitado:



Geração Harry Potter. Nunca pensei como um livro, uma mitologia, um fenômeno editorial foi capaz de moldar tantos aspectos da geração que chega aos 20 anos agora.

Sim, o assunto entra na onda do lançamento do último filme da série, mas não deixa de ser muito pertinente. Especialmente pra mim, na ocasião que esta reflexão aconteceu.

Dois rótulos comumente aplicados à saga e aos fãs de Harry Potter se bem analisados podem mostrar a fronteira entre dois mundos, duas interpretações e dois finais distintos: O conto-de-fadas e a fábula.

Apesar dos dois terem linguagem fantástica, a fábula tem como objetivo de passar lições de moral para a vida real, compromisso que um conto-de-fadas não tem, apesar de muitos também terem estas lições. Saber esta diferença é muito importante para entender a transformação da geração que acompanhou Harry Potter desde o princípio.



Tive contato com a história e o fenômeno bem no início. Estava frequentando um consultório de psicopedagogia na época tratando de uma timidez crônica e foi através da Fernanda, a psico que me atendia, que conheci a história e o mundo de Harry, sendo a própria Fernanda uma grande fã.

Falar sobre os desafios de se enfrentar a timidez é naturalmente fazer um paralelo ao mundo de Harry: A sensação de viver isolado no mundo mesmo no meio de tantas pessoas, a incomunicabilidade, a decepção. Mas também sendo alimentado pela fé de um dia ser resgatado dali para um novo mundo completamente oposto ao anterior, composto de compreensão e solidariedade.

É justamente neste ponto cabe a mudança de conto-de-fadas para fábula, da metáfora para a vida real. A revolução de ver tudo isso que era um mundo imaginário provar ser real, se materializar. Quem me conhece ou lê este blog sabe como isso foi importante pra mim e como ainda me faz chorar em momentos de introspecção.

A grande conclusão que gostaria de ver sobre esta "Geração Harry Potter" seria exatamente esta: Uma geração que através de um mundo imaginário criou uma fábula que serviu de estímulo para uma nova vida.

2 comentários:

  1. Bacana a questão que você levantou e o caminho que te levou ao HP.

    Abraço.

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  2. Olha, eu fazia parte de listas de HP. E sei que, pelo menos no fandom carioca, do qual eu nao tive a sorte de fazer parte, todas as vidas se moldaram em torno da obra. Conheço algumas pessoas que tiveram suas vidas mudadas por HP, que fizeram amigos, inimigos, namoros, etc.

    Duvido, sinceramente, que o mesmo aconteça com uma coisa tosca como crepúsculo. Se é preconceito, so be it.

    E, por conta do filme recente, fui aprender que eu só li HP em 2000, ou seja, às vesperas de completar 15 anos. Minha impressao era de ter lido qdo tinha 11 ou 12 anos...

    Vê como a nossa propria memoria nos engana. Mas tb, nao ia imaginar q eles tivessem lançado os 3 primeiros livros no mesmo ano...

    abs

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