20 de dezembro de 2024

Inútil

Eu me encho de utilidades

E chega uma hora que nada mais é útil

Tantas tarefas cumpridas

A sós 

17 de dezembro de 2024

Todos os meus amigos querem...

Só acredito no semáforo
Só acredito no avião
Eu acredito no relógio

Só porque é terça feira

8 de dezembro de 2024

Toc toc

Quase uma decada depois lembrei que esse blog existe. Lembrar no sentido de publicar porque de uma certa forma nunca esqueci ele de fato. A primeira vista achei que teria vergonha do que escrevi mas surpreendentemente ainda penso 90% do que escrevi aqui. O resto talvez seja ir aparando arestas.

10 de março de 2018

Série - "Strike"


A série "Sherlock" é um fantasma que assombra a relação do mundo exterior com a televisão britânica. A combinação do seu sucesso com seu formato incomum para a audiência internacional (conjunto de 3 episódios com 1h30 de duração sem temporadas regulares) é motivo de choro e ranger de dentes entre fãs e a produção da série, que também enfrenta inúmeros outros desafios internos.

Parece meio injusto começar uma resenha sobre a série "Strike" já trazendo lembrança de outra série de detetives, e talvez até seja. Mas não dá para fugir do fato que não vai ser a primeira vez que uma comparação será invocada, por mim ou por você que me lê caso já tenha tido experiência com o gênero. Um público faminto por algo vai expressar voracidade quando o prato for servido, mas não acredito que o paladar desenvolvido dele aceite qualquer coisa. Felizmente creio que "Strike" definitivamente não é qualquer coisa.

Sendo uma história escrita por J. K. Rowling sob pseudônimo chegando à televisão e produzida por ela mesma acaba tendo mesmo a tarefa de fugir da associação com Harry Potter e seu público-alvo infanto juvenil, mas em "Strike" J. K. tem principalmente a chance de mostrar que pode levar a televisão seu grande talento de envolver o público através da forma que desenvolve histórias. Quem acompanhou "Sherlock" da BBC e também "Elementary" na CBS (imagino que um grupo muito pequeno, o que é uma pena já que ambas tem seus méritos em diferentes áreas) encontra referências em todo lado: ex-combatente ferido no Afeganistão, a mulher se descobrindo investigadora profissional e se impondo na área, o relacionamento com o submundo de Londres. Mas talvez isso seja o arroz-com-feijão de qualquer história de detetive britânica, o pompom da colega de trabalho que não pode faltar no Programa Sílvio Santos. Acaba sendo imprescindível adicionar personalidade, ritmo, passados enterrados, um algo mais para poder fisgar o público até o desfecho dos casos.

Tom Burke e Holliday Grainger conseguem dar esse tom necessário aos seus papéis. Tom encarna o homem cheio de cicatrizes físicas e psicológicas do passado que ainda busca, sem muitas expectativas, alguma paz de espírito na vida mesmo que através do seu ingrato trabalho, que se depara com Holliday como Robin, uma jovem de habilidades e talento natos que está vivendo encruzilhadas da sua vida. Dividem uma afinidade imensa e quase instantânea pelo amor à ciência da investigação, mas cabe ao tempo responder se ela se limitará apenas a isso.

Talvez vindo de J. K. não seja de se espantar que a deficiência física de Cormoran e o conflito diante a escolha de carreira de Robin ganhem destaque na história. A autora com frequência se manifesta em público a respeito de inclusão e igualdade ao mesmo tempo que muitas vezes isso entra em choque com decisões artísticas que toma. Mas isso não torna a saga de Cormoran e Robin mais dispersa, na verdade dá a sensação contínua de como o trabalho de um detetive não consegue o blindar dos dramas comuns e alguns não tão comuns da vida de alguém, diferente de personagens como Sherlock que muitas vezes tem como única conexão com o mundo real e dos sentimentos humanos o seu assistente Watson.

Pretensão? A série pode ter alguma, mas se você se concentrar em procurar isso vai se privar de uma boa história de investigação de crime.



Em uma nota avulsa, o tema de abertura me fisgou totalmente. Beth Rowley interpreta "I Walk Beside You" que descobri que infelizmente não existe disponível na íntegra em lugar nenhum. Mas eis que buscando no YouTube encontrei cover declaradamente feito por fã da série. Deduzo que vem um novo fandom por aí.


"Strike" foi exibida na BBC One, produzida em parceria com a HBO para o Cinemax. Em breve estará em exibição em outros países.

8 de maio de 2013

"Você é muito pouco neurótico!"

O meu blog não tem esse nome à toa. Eu sou uma pessoa neurótica.
E não é uma forma de "orgulho", daquelas pessoas que acham bacana dizer que é depressivo ou bipolar. Ser neurótico te engessa pela vida e o responsável por isso é você mesmo. O inimigo é você mesmo, por isso essa necessidade de auto-crítica constante.


[infográfico sobre a vida de um neurótico]



Fui percebendo com o tempo que o principal motivo de stress pra mim é ficar interferindo em tudo para que tudo aconteça do jeito "certo", do jeito que eu quero. Você vai acumulando "obrigações" que não são suas, não delega e quando o corpo físico já não agüenta tentar mais ser onipresente, ele pifa. Pifa porque a neurose, o stress, como tudo numa pessoa é um poço sem fundo. Enquanto você estiver disposto a explorar seus medos mais eles vão aflorar.

"Coisa da sua cabeça"? Sim. Mas não quer dizer que seja fácil de resolver. É um longo caminho.

(Título do post em referência a uma frase que usei debochadamente contra o @OneLag numa mesa de bar)

14 de abril de 2013

Todo ouvidos

Eu tenho pensado muito que o espirito de um jornalista não é dizer ao aparentemente errado o jeito certo. É dar a chance do errado consegui provar que ele está certo.

31 de dezembro de 2012

ENEM 2012 - Como cada veículo gostaria de cobrir







































































14 de novembro de 2012

Atualidades e antiguidades

Eu não saberia dizer se gosto mais de jornalismo ou de história. Pra mim são duas coisas que se complementam, faces da mesma moedas, irmãos.


A história é uma das fontes para buscar entender o que acontece hoje. E quem vai dar as pistas daqui há muito tempo sobre o que aconteceu naquele dia é o jornalismo.


Comparo o processo jornalístico como se fosse suco de uva. A história é a prova real dele, é quem vai dizer tempos depois se o resultado se tornou vinho ou vinagre.

16 de outubro de 2012

O2

O bairro que estou morando atualmente é um bairro de muros. Não de casas, de muros. — Fernado Pessoa se perguntaria: Onde está Lisboa com suas casas de várias cores? Onde estão as casas em si? — Porque eu não sei como são as casas, estão escondidas atrás dos muros. Isso ao mesmo tempo me irrita e me deixa aflito. Um sentimento de prisão, de claustrofobia, que com o tempo evolui para stress. Eu precisava rever como é o mundo de verdade. Recarregar o celular num domingo à tarde foi a desculpa que coube para atravessar a cidade a pé.


Não sei se foi o cansaço físico disso ou o alívio mental que causou mas dormi nesse dia melhor do que em muitos meses. Mas a causa da angústia continua, logo a estratégia será repetir isso com mais frequência. Talvez numa frequência assustadora. Parece que não só o cérebro em si se oxigena (apesar de muita poluição no ar) mas as idéias também. Talvez ajudado pelo fato de não ter um celular funcionando me fez falar um pouco comigo mesmo. Falar com aquela inspiração totalmente anti-social, que desaparece quando falo com alguém, quando leio um jornal, quando abro o Twitter.


Talvez a falta dela tenha me levado a saúde mental.

1 de outubro de 2012

Um mito. Em poucas palavras.

O jeito alegre da Hebe é tipo uma loucura. A melhor loucura pra se ter, diga-se de passagem.

É muito bom ter uma loucura que não faz mal nem aos outros nem a si mesmo.

29 de agosto de 2012

Paraolimpíadas ou paralimpíadas?

Giant Paralympic Agitos on Tower Bridge


Hoje, quarta-feira, começam as Paraolimpíadas 2012. Ou seriam "paralimpíadas"? Muito provalvelmente você também foi pego de surpresa com essa confusão do nome que não foi explicada por nenhum veículo de mídia (Não que eu esteja sabendo, pelo menos). Então vamos lá:


A grafia mais adotada em inglês é "paralympic", apesar de também acontecerem ocorrências do termo "paraolympic". A confusão entre os termos se deve muito ao fato de entre 1960 e 1988 o evento não adotar o nome pelo qual é conhecido hoje. "Paralympic" foi um termo cunhado pela imprensa, muito provavelmente da junção das palavras "paraplegic" e "Olympics".


Apesar de oficializado em 1988 em Seul, o nome "Paralympic" não se refere a "paraplegic" e sim ao prefixo grego 'para' que significa paralelo. A inclusão de diversos outros grupos de deficiências dentro dos jogos tornou essa referência inapropriada.


E o 'paralympics' e 'paraolympics', como fica?


Outras questões pesaram na escolha do "paralypics" e seus derivados em outras línguas como grafia oficial adotada pelo Comitê Internacional. A primeira é a questão do hiato, o encontro da a vogal A com a vogal O, que dificulta a pronúncia do nome em algumas línguas. A segunda é comercial. Com a prefixação acontecendo da palavra "Olympics" o Comitê Internacional Paralímpico poderia ter problemas pelo fato da palavra ser registrada como uma marca do Comitê Olímpico Internacional.


Por conta disso há a preferência pela grafia "paralympics" e consequente recomendação para que os demais comitês nacionais adotem uma versão semelhante.


Na língua portuguesa


Apesar de estudos apontaram para "paraolímpico" como sendo a versão mais correta, tanto o comitê brasileiro quanto o português adotaram "paralímpico" no nome, seguindo a recomendação do Comitê Internacional. E como visto a imprensa também adotou. Só não contou essa pequena-longa história que você aprendeu hoje. :)


Para saber mais, veja o documento do IPC sobre o assunto.



25 de agosto de 2012

Palitos da discórdia

Um dos assuntos dominantes nessa semana foi a página do Facebook da Gina indelicada e todas as consequências e complicações deste assunto. Gostaria de adicionar apenas alguns comentários.


O primeiro é observando as críticas de que não é um humor original, que repete um estilo que se encontra em qualquer lugar "vendido" sobre uma nova forma. O fato é que tudo no humor segue essa mesma lógica, esse mesmo esqueleto. Humor é sempre humor, só ganha novas embalagens (e não me refiro a Gina garota-da-caixa). Se cabe alguma genialidade ao autor nessa confusão certamente foi a de colocar tudo isso sob uma "marca" interessante. Por mais que isso seja cruel para todos que produzem conteúdo a forma é sim muito importante. É como o produto se entrega. A logística é bem mais importante do que as pessoas tem julgado.


O segundo é notar como esse humor baseado no mau humor vem se tornando um padrão. Ninguém escapa do mau humor. Faz parte da vida. Mas transformar isso em mercadoria principal é o tipo de "alimento intelectual" diário que eu não creio ser benéfico pra alguém.


Já que falei tanto de humor, e ao mesmo tempo não quero julgar se é certo ou não, apenas expus minha opinião, vai um vídeo que vai de cada um achar se é correto ou não: Adam Hills, comediante australiano, falando sobre paraolimpíadas. Informação adicional: ele nasceu sem parte de uma perna.



UPDATE: O Eden Wiedemann falou sobre o assunto.

17 de julho de 2012

A tristeza do palhaço

Tenho pra mim que todo humorista tem um grande vazio e uma grande dor dentro de si. Isso ficou bem mais claro pra mim numa cena que já devo ter contado aqui no blog, acontecida nos tempos que fazia fisioterapia. Esperando pela consulta, vi a fisio levando a paciente até a porta e ambas rindo de alguma coisa que não entendi. Ao me chamar e entrar na sala para começar a sessão ela falou um pouco sobre aquela pessoa. "Ela é muito engraçada, fala cada coisa... E ela está fazendo tratamento para depressão, muito curioso isso. Na verdade, é uma coisa bem comum pessoas com depressão serem alegres assim."


Claro que uma pessoa com depressão profunda não sai por aí contando a última bobagem que leu no Twitter, mas quem tem a depressão quase como um traço de sua personalidade (e eu me vejo assim) sabe muito bem usar uma máscara risonha. Talvez seja o lado do moeda que complete o Ying-Yang do mosaico que é um ser humano.


A tristeza e a dor tem o poder de nos des-anestesiar. Enxergar além das várias pequenas ilusões que vivemos todos os minutos e assim conseguir aquilo que a @rosana definiu um dia como humor, aquele choque que um neurônio causa no outro que dispara uma risada, um pensamento com caminho torto que destrói um conceito pronto.


E talvez seja enxergando o humor como uma forma de quebrar antigas estruturas que ele exista na mente e na forma de viver dos tristes e deprimidos. Uma vingança acontecendo dia após dia, sem que ninguém perceba.

19 de junho de 2012

Re-ciclo

Duas coisas são capazes de me manter longe da loucura: Remédios e trabalho. Uma das formas mais rápidas e eficiente de não ficar com pensamentos obsessivos e negativos é não ter tempo para pensá-los. E ainda tem a diferença que com remédios você gasta dinheiro e com trabalho você ganha.

Só que o problema volta nas férias. Ou nas mini-férias. Ou férias parceladas. Se deixar não saio da cama o dia todo e me sinto o Julian Assange em prisão domiciliar, só que por conta própria.

Agora eu só quero pensar na volta da rotina. E ficar morrendo de sono o dia inteiro do que não ter mais sono pra dormir.

25 de dezembro de 2011

O que aprendi, so far.

Festas de fim de ano são oportunidades de reflexão em duas parcelas. Você pode fazer a sua no Natal ou no Ano Novo. Ou começar em uma e terminar em outra. Vale o clima que se seguir durante o intervalo de 7 dias.

Por ora quero falar sobre a "vida virtual". Não sei se você a leva a sério ou não leva a ponto de achar que ninguém deveria (criando aí uma estranha incoerência) mas vou usar esse termo apenas como delimitação do assunto abordado.

Aprendi muito. Não tanto sobre o que seja certo ou errado mas sim como se comportar diante deles.

Encontrar a extraordinária capacidade do ser humano de pensar diferente, e de se permitir pensar diferente também. Viver cada dia esperando poder rever algum conceito. Construir novas ideias que sejam novas de verdade.

E a gente só aprende vivendo, e vivendo, e vivendo, e vivendo...

19 de dezembro de 2011

Dica de série: The Shadow Line


Experiência com séries policiais tenho apenas com C.S.I., o que não é exatamente algo que se aprofunde no mundo do crime. Mas algo me diz que essa série vai surpreender mesmo quem já está acostumado com o gênero. "The Shadow Line", com seus 7 episódios, consegue programar um surpresa para cada um deles.

A morte de um chefe do tráfico de drogas é a porta de entrada para um mundo onde não é possível definir quem está do lado da justiça ou não. Isso levando em consideração um conceito de justiça muito além da lei. E dentro desse jogo de estratégias já demarcadas há muito tempo a bala alojada no cérebro do Inspetor Jonah Gabriel que causou sua amnésia é a motivação para que o mesmo tente buscar a verdade sobre o que aconteceu.

Cenas onde a violência é inesperada e silênciosa fazem parte desta série que narra o mundo do crime de uma forma muito além do clichê. Você não verá o tempo passar.

18 de dezembro de 2011

Dica de livro: Com vista para o Kremlin


"Nesse país nada é preto nem branco. É preciso viver na Rússia para entender a existência dessas zona cinzentas". Sem nenhuma pretensão Vivian Oswald cunha em algumas passagens do livro a expressão que melhor definiria o relato que é "Com vista para o Kremlin - A vida na Rússia pós-soviética". E felizmente o livro vai muito além de uma vista privilegiada da Praça Vermelha.

Vivian faz uma grande viagem pela alma russa e dos vários povos que viviram o brasão soviético, porque além de não ser nem preta nem branca, a Rússia não é óbvia. E tal como o Brasil não é para principiantes.

É bastante válida percepção feita ao longo do livro de como Brasil e Rússia podem ser parecidos em certos aspectos, tantos pelos problemas como por soluções adotadas. A necessidade de se reencontrar com a própria história é latente tanto lá como cá, muito além dos laços ideológicos comunistas como de Luiz Carlos Prestes que julgamos serem tão relevantes. A era comunista é colocada em discussão para saber se Stálin foi herói ou vilão e em qual proporção, assim como nós brasileiros buscamos saber o que fazer com os anos de chumbo da ditadura. Assim a Rússia segue se construindo em um novo cenário, porque a Rússia não para.

O livro é um relato extenso, muitas vezes pessoal e também um pouco confuso sobre os dois anos de Vivian como correspondente na Rússia. Mas com um excelente sabor de relato pós-viagem de alguém que você não quer perder nenhum detalhe da viagem. A vida os apartamentos comunitários da era comunista, o metrô de Moscou, a repressão de um governo contra sua própria população, o drama do alcoolismo, a rica herança cultural, com museus, teatro, cinema e literatura, tudo contado em 367 páginas bastante despidas dos tradicionais esterótipos sobre este país. Um bom guia para quem quer entrar neste mundo.

E quem sabe uma oportunidade aberta para que os russos conheçam o Brasil além do kit-básico "Carnaval-futebol"

***

Para uma visão bem mais aprofundada sobre a Rússia atual recomendo visita ao blog Falando Russo.

16 de dezembro de 2011

Twitter e indiretas

10 de dezembro de 2011

29 de novembro de 2011

Velharia

De repente parei para olhar como a imagem de cabeçalho do blog está desatualizada de várias formas.

Começando pelo teclado. Fazia parte de um PC que hoje está mais pra lá do que pra cá. A caneca da foto, já lascada hoje já não tem mais nem asa. Até o conteúdo não pode ser mais o mesmo, parei de tomar café.

Coisas que mostram que uma reforma na casa, mesmo que a virtual, de vez em quando se faz necessária.